Usuários de drogas roubam, espancam e depois fogem. O espancamento seguido de roubo aconteceu na baixa do Garcia, próximo ao túnel, na Av. Centenário, por volta da 22h, na terça 6. “João”, nome fictício usado para preservar a identidade da vítima, estudante e menor de idade, ao retornar do colégio foi atacado de surpresa por dois elementos.
Ricardo Aragão jornalistaaragao@gmail.com
Após a agressão, os bandidos fugiram para uma rua próxima ao local. O rapaz Sofreu escoriações no olho esquerdo, nariz e cabeça, mas conseguiu chegar até sua casa, onde foi encaminhado a um hospital por sua mãe. “Não havia nenhuma testemunha. Pouca gente passa por ali, pois é um atalho. Eles me disseram: ou dá a grana ou morre! Dei todo o meu dinheiro, mas mesmo assim eles me bateram”, afirma “João”. Para a mãe do garoto, tudo isso dá pena de se ver. “São pessoas que não possuem dignidade”, completa.
Desconfiado e abatido devido ao acontecimento, o menor diz que não vai prestar depoimento perante a polícia, por que conhece os agressores. “Se eu denunciá-los, quem vai cuidar da minha mãe? Moramos sós e Deus. Ela cuida de mim e eu cuido dela. Meu pai me abandonou quando eu tinha 5 anos. Prefiro ficar na minha e nunca mais passar por onde eu passei, do que ser morto”, reflete.
Questionada sobre o caso e casos semelhantes ao de “João”, o Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) interligado às Delegacias Circunscricionais da Capital e Região Metropolitana, junto com a 1ª DP dos Barris diz que diversos tipos de situaçõs como essa acontecem, e que a demanda de policias na cidade é baixa - para oferecer segurança à população.
“Educação, Segurança, Trabalho e Moradia deveriam ser prioridade para nós, seres humanos enquanto viventes. Temos que conviver todos os dias, com essa mesma situação que se repeti há anos em nosso país. Os governantes não acham interessante investir nesses setores, pois seriam ‘prejudiciais’ a eles. Portanto, os mesmos mantêm o ‘povo’ na apatia, sem perspectiva alguma de evolução, para que assim, a ‘máquina de fazer dinheiro’ possa rodar em favor dos seus próprios bolsos e barrigas. O Brasil precisa se politizar, mas devemos agir independentemente, para que situações como a desse estudante não venha se repetir”, afirma Rafaela Mendonça, 55, Socióloga.
A desigualdade social no Bairro pode ser vista de um ângulo mais amplo, por aqueles que conhecem a realidade da comunidade, de perto. “É claro que em todo lugar ocorrem situações como a de “João”. Porém, a solução para alguns desses problemas terá que partir da própria comunidade, ou seja, de nós mesmos. Há no Bairro, alguns agentes comunitários, os quais auxiliam no combate à violência, prostituição, criminalidade, desemprego, entre outros problemas. Tudo isto são evoluções, no entanto, muitos desvirtuam – se deste caminho”, completa Zoráide Monteiro, 34, Advogada.
O Bairro do Garcia recebeu esse nome, por causa da presença do Conde Garcia D’Ávila antigamente em sua fazenda. O senhor da Casa da Torre tinha uma fazenda, que abrangia boa parte do Território Estadual. Garcia morava onde hoje é o colégio 2 de Júlio, preservado como Patrimônio Histórico.
Escrito por informebahia